Pode entrar na conta, e quem decide é o plano da linha brasileira: pelo RGC da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), a oferta registrada deve informar os valores de uso da estação móvel fora da Área de Mobilidade Nacional ou na condição de Usuário Visitante (Anatel, Resolução nº 765/2023, consultado em 29/09/2026). A ligação recebida é encaminhada até a rede estrangeira em que o aparelho está registrado, e a confirmação do valor vem da operadora, antes do embarque. As saídas são recusar, pedir aos contatos que usem aplicativo, deixar a linha fora da rede e, com cautela, desviar as chamadas.

Atender uma ligação fora do país pode entrar na conta?

Pode, mesmo sem o viajante ter ligado para ninguém. A cobrança da chamada recebida em roaming não depende de quem iniciou a ligação, e sim do caminho que ela percorre e do que a oferta da linha define para esse caminho.

Um plano pode tratar a chamada recebida de um jeito, e outro plano, da mesma operadora, de outro. O que vale para a viagem é o contrato da linha que está no aparelho, conferido antes de sair.

Por que a chamada recebida importa numa viagem?

Porque o viajante não controla quem liga, e o regulamento não o avisa quando a linha entra em roaming. O RGC manda comunicar o consumidor quando o consumo se aproximar da franquia contratada, segundo o art. 50 da Resolução nº 765/2023, mas não traz aviso obrigatório ao entrar em roaming internacional (Anatel, consultado em 29/09/2026). Família, trabalho, banco, entrega e número desconhecido chegam do mesmo jeito, e o atendimento por reflexo, no meio do passeio, é o momento em que a conta cresce sem alerta. A chamada que o viajante faz passa por uma decisão; a que ele recebe, não, e é por isso que surpreende na fatura. Com um eSIM de viagem cuidando dos dados e a linha brasileira ativa para SMS, cada atendimento segue a regra do plano da linha brasileira.

O que acontece com a ligação quando o celular está em outra rede?

A ligação é encaminhada até a rede estrangeira em que o aparelho está registrado. Quem liga disca o número brasileiro de sempre; a rede da operadora brasileira identifica que a linha está fora do país e passa a chamada adiante, até a operadora parceira no destino, que a entrega ao aparelho. Esse trajeto internacional é o motivo de a chamada recebida poder gerar cobrança em roaming, e o plano diz se ele é cobrado e como.

A chamada feita por aplicativo de mensagens, como o WhatsApp, não passa pela voz da linha: viaja pelos dados, como qualquer outro tráfego de internet. O custo dela é o dos dados usados, e sai da franquia da linha que está cuidando da internet no momento.

Existe regra que elimina o roaming em alguns países?

Existe para blocos específicos, e cada regra vale para quem assina operadora do bloco ou do acordo. Na União Europeia, quem tem assinatura móvel num país da UE e viaja ocasionalmente a outro não paga adicional pelo uso do celular, no regime chamado “roam like at home”, sujeito à política de uso razoável; ele vale também no Espaço Econômico Europeu (Islândia, Liechtenstein e Noruega), na Moldávia e na Ucrânia (Europa, consultado em 29/09/2026). O Regulamento (UE) 2022/612, de 6/4/2022, trata do roaming em redes móveis públicas dentro da União, e as sobretaxas de varejo deveriam ser abolidas desde 15/6/2017, sujeitas ao uso razoável (EUR-Lex, consultado em 30/09/2026). A linha brasileira segue o contrato dela.

No Mercosul, o Decreto 12.782, de 18/12/2025, promulga o Acordo para a Eliminação da Cobrança de Encargos de Roaming Internacional aos Usuários Finais do Mercosul entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que entrou em vigor para o Brasil em 21/11/2025. O art. 6 diz que “o Comitê determinará a data de aplicação efetiva do Acordo entre os Estados Partes que o ratificaram” (Planalto, consultado em 30/09/2026). O trecho consultado não traz essa data, então, para viagens a Argentina, Paraguai e Uruguai, a pergunta à operadora inclui se o Acordo já se aplica à linha.

O que decide se a chamada recebida é cobrada?

Quem decide é o plano contratado para a linha brasileira. Nenhuma regra geral diz que toda chamada recebida no exterior é cobrada, nem que toda é gratuita: a resposta está no contrato de cada linha. Quatro pontos do plano mexem na resposta:

  1. Se o roaming de voz está ativo na linha, porque é ele que deixa a linha receber ligações pela rede estrangeira.
  2. Se há um pacote de roaming contratado para a viagem, e o que esse pacote inclui para chamadas recebidas.
  3. Como o plano trata a chamada que não foi atendida e segue para outro destino, como a caixa postal.
  4. Como o plano trata o desvio de chamadas enquanto a linha está fora do país.

A conferência dos quatro pontos vem do contrato ou do atendimento da operadora, e não de regra de mercado.

Como evitar ligação cobrada sem sumir para quem precisa falar com o viajante?

O caminho é mudar o canal da conversa, e não cortar a comunicação. Quatro saídas cobrem os cenários mais comuns.

  • Recusar a chamada. Recusar evita a conversa, mas a chamada recusada segue para o destino configurado na linha, como a caixa postal. Se esse destino gera cobrança durante a viagem é pergunta para a operadora.
  • Avisar os contatos para usar aplicativo. Família e trabalho avisados antes do embarque passam a ligar pelo aplicativo de mensagens, que usa dados e não a voz da linha. O viajante segue alcançável, e a ligação comum vira exceção.
  • Deixar a linha fora da rede. Com o modo avião, que a ANAC define como o estado em que o aparelho não transmite intencionalmente sinais de radiofrequência, como chamadas e dados (ANAC, Instrução Suplementar nº 91.21-001, consultado em 29/09/2026), a ligação deixa de chegar pela rede estrangeira. O que o plano faz com ela depois é regra da operadora, e o que o modo avião resolve e não resolve está em O modo avião evita cobrança de roaming?.
  • Desviar as chamadas, com cautela. O desvio manda a ligação para outro número, mas o trecho desviado também pode entrar na conta enquanto a linha está fora do país. Antes de embarcar, a operadora confirma se isso acontece no plano da linha.

Para ligar de volta sem usar a voz da linha, os caminhos estão em Como ligar para o Brasil do exterior sem pagar caro?. A chamada pela rede Wi-Fi da própria operadora tem regra própria, assunto de Chamada por Wi-Fi da operadora funciona no exterior?.

O que perguntar à operadora antes de viajar?

Seis perguntas fecham a dúvida antes do embarque, e todas cabem numa conversa com o atendimento da operadora da linha brasileira.

  1. A chamada recebida fora do país é cobrada neste plano? De que forma?
  2. Qual é o valor de uso da linha fora da Área de Mobilidade Nacional e na condição de Usuário Visitante?
  3. O roaming de voz está ativo na linha? Dá para deixar só o SMS funcionando?
  4. Um pacote de roaming, se contratado, inclui as chamadas recebidas?
  5. A chamada recusada ou não atendida que vai para a caixa postal gera cobrança durante a viagem, e o desvio para outro número gera cobrança no trecho desviado?
  6. O Acordo de roaming do Mercosul já se aplica à linha, quando o destino é Argentina, Paraguai ou Uruguai?

As respostas valem para aquela linha, naquele plano, na data da consulta. Anotar o protocolo do atendimento e guardar as respostas por escrito ajuda se a fatura vier diferente do combinado. O resto do planejamento de conexão da viagem está em Como usar o celular no exterior sem pagar caro?.

E se a fatura vier com uma ligação que não foi combinada?

A cobrança pode ser contestada. O RGC diz: “O Consumidor poderá contestar a cobrança de valores junto à Prestadora no prazo de 3 (três) anos contados da data da cobrança considerada indevida.” Segundo a mesma norma, o valor contestado e ainda não pago tem a cobrança suspensa, e a prestadora tem até 30 dias para responder e, se a contestação for procedente ou não houver resposta no prazo, deve devolver o valor pago ou cancelar a cobrança (Anatel, consultado em 29/09/2026). O Consumidor.gov.br é outro canal: as empresas participantes se comprometem a responder em até 10 dias, e o consumidor tem até 20 dias para avaliar a resposta (consultado em 30/09/2026). O protocolo guardado na consulta prévia vira a prova do que foi combinado.

Qual alternativa vence em cada critério?

A tabela compara a ligação pela linha brasileira em roaming com a chamada por aplicativo de mensagens, critério por critério.

CritérioLinha brasileira em roamingChamada por aplicativo de mensagensQuem vence
Valor conhecido antes da viagemOs valores de uso fora da Área de Mobilidade Nacional ou como Usuário Visitante constam da oferta registrada (Anatel, 29/09/2026)Sai da franquia de dados da linha que cuida da internetAplicativo, quando a franquia de dados é conhecida
Alcançar o viajante sem combinar nadaO contato disca o número de sempreO contato precisa ter o aplicativo, dados e o aviso prévioLinha brasileira
Conta acima do combinadoContestável em até 3 anos, com cobrança suspensa se ainda não paga (Anatel, 29/09/2026)Mesma prestadora, mesmo canal de contestaçãoEmpate
Viagem a Argentina, Paraguai ou UruguaiO Decreto 12.782 prevê o fim do roaming entre os quatro países, com data de aplicação definida pelo Comitê (Planalto, 30/09/2026)Não depende do AcordoLinha brasileira, se a operadora confirmar que o Acordo já se aplica

Ver também

Perguntas frequentes

Recusar a ligação no exterior evita a cobrança?

Recusar evita a conversa, mas a chamada recusada segue para o destino configurado na sua linha, como a caixa postal. Se esse destino gera cobrança durante a viagem é regra do plano. Pergunte à operadora antes de embarcar, junto com a regra para chamada atendida.

Ligação recebida pelo WhatsApp no exterior é cobrada como roaming?

Não como ligação: a chamada por aplicativo viaja pelos dados, e não pela voz da linha. O custo é o dos dados usados, na linha que está cuidando da internet no momento. Se essa linha é a brasileira em roaming, vale o que o plano define para dados fora do país; se é um eSIM de viagem, o volume sai do plano dele.

Desviar as chamadas para outro número evita cobrança na viagem?

Não dá para contar com isso. O trecho desviado também pode entrar na conta enquanto a sua linha está fora do país, conforme o plano. Confirme com a operadora antes de ativar o desvio, e não trate o desvio como saída sem custo.

Deixar a linha brasileira ativa só para SMS pode gerar cobrança de ligação?

Sim, porque a linha ativa em roaming também recebe ligações, e cada atendimento segue a regra do seu plano. Se a ideia é receber só SMS, pergunte à operadora se dá para manter o SMS funcionando com o roaming de voz desligado. Enquanto isso não estiver confirmado, recusar as ligações comuns e pedir aos contatos que usem aplicativo reduz o risco.

Dá para contestar uma ligação recebida no exterior que veio na fatura?

Sim. O RGC da Anatel permite contestar a cobrança em até 3 anos da data da cobrança considerada indevida, e o valor contestado e ainda não pago tem a cobrança suspensa. A prestadora tem até 30 dias para responder. Guarde o protocolo da consulta feita antes da viagem, porque ele mostra o que foi combinado.

Em resumo

  • A chamada recebida no exterior pode entrar na conta mesmo sem o viajante ter ligado para ninguém, e quem decide é o plano da linha brasileira.
  • A oferta registrada na Anatel deve informar os valores de uso fora da Área de Mobilidade Nacional ou como Usuário Visitante, e o RGC não traz aviso obrigatório ao entrar em roaming internacional.
  • A chamada por aplicativo de mensagens não passa pela voz da linha: usa dados, e o custo é o dos dados usados.
  • Recusar, avisar os contatos, deixar a linha fora da rede e desviar chamadas reduzem o risco, mas caixa postal e desvio também podem ter custo.
  • Antes de viajar, a operadora confirma a regra para chamada recebida, caixa postal, desvio, pacote de roaming, SMS e a aplicação do Acordo do Mercosul.

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